Sou vítima de censura e seletividade, diz deputado que quis homenagear Pinochet

Responsável por propor uma homenagem ao general Augusto Pinochet, ditador chileno entre 1973 e 1990, o deputado estadual Frederico D’Avila (PSL) diz que é vítima de censura e seletividade por parte da Assembleia Legislativa, da esquerda e da imprensa.

“Aqui já houve sessão em homenagem ao Che Guevara, ao Stedile [líder do MST], à Dilma, e ninguém falou nada. O PC do B faz congresso em que exalta Trotski, Lenin, Stalin e fica por isso mesmo”, declarou.

A sessão na Assembleia em exaltação a Pinochet, que chegou ao poder por meio de um golpe sangrento e em cujo governo milhares de opositores foram mortos e torturados, deve ser cancelada por um ato do presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB).

Embora frustrado, D’Avila afirma que a polêmica atingiu um de seus objetivos. “Tirei as varejeiras do mato”, disse ele, líder ruralista, usando uma metáfora do campo. “Mostrei para a população como a política e a imprensa se comportam nesses casos”.

O parlamentar é um apoiador fiel do presidente Jair Bolsonaro e foi um dos primeiros líderes do campo a desertar da campanha de Geraldo Alckmin, de quem havia sido assessor, para entrar no barco do capitão, no início do ano passado.

Ele diz que Che, homenageado em outubro de 2017, era “muito pior que Pinochet”. “Ele foi na ONU para dizer que estava fuzilando opositores e continuaria a fuzilar”.

Stedile, que recebeu um prêmio em dezembro de 2018, é, em sua visão, promotor de “esbulho possessório” (ato de tomar à força propriedade de terceiros). “Ele faz pregação ideológica até em crianças”.

Já Dilma, afirma o parlamentar, é “uma das crias desse processo de radicalização da esquerda”. “Ela foi terrorista, assaltante de banco, mas por ser limitada intelectualmente não foi muito longe, acabou presa”.

Mas e Pinochet? As atrocidades cometidas por seu regime estão amplamente documentadas. Houve cerca de 3.000 mortes e desaparecimentos, incontáveis vítimas de tortura e dezenas de milhares de exilados, segundo levantamento independentes.

Não é um despautério homenagear uma das figuras mais sinistras do século 20? Mesmo colegas de bancada como a deputada Janaina Paschoal criticaram a ideia de D’Avila.

O parlamentar afirma que sua ideia foi reconhecer os méritos de Pinochet, sobretudo na gestão econômica, e não negar as violações de direitos humanos, que ele diz reconhecer, embora relativizando-as.

“Houve excessos, é claro, mas não esse terror todo que o pessoal fala. Muitos dos que morreram eram agentes cubanos infiltrados que queriam implementar o comunismo”, afirma.

Ao justificar a ditadura, D’Avila usa um argumento que a direita evoca ao defender o nosso golpe de 1964: era preciso frear a ameaça da esquerda.

“Na época do Salvador Allende [presidente socialista derrubado pelo golpe], tinha fila para comprar papel higiênico, havia paralisação de caminhoneiros. A população pediu a queda dele, o país estava à beira do colapso”, diz.

Pinochet, segundo o deputado, foi obrigado a adotar medidas extremas por um determinado período. “Foram ações necessárias para conter a deterioração econômica e social. É que nem antibiótico, você não vai tomar a vida inteira”, afirmou.

Já no front econômico, o ditador chileno, de acordo com D’Avila, fez uma gestão liberal, reconhecida internacionalmente por líderes como o americano Ronald Reagan e a britânica Margaret Thatcher.

Outro ponto digno de elogio, na visão do parlamentar, é o fato de o ditador ter aceitado o resultado de um plebiscito que encerrou seu regime, em 1988.

“Ele poderia ter burlado o resultado. Mas aceitou, fez a transição para a democracia, passou a faixa presidencial. E entregou o país um brinco, na comparação com o que tinha pego”.

O modelo econômico de Pinochet, implementado pelos “Chicago Boys”, é saudado por liberais do mundo inteiro, incluindo nosso ministro da Economia, Paulo Guedes, que morou no país.

Nos últimos meses, contudo, esse sistema está sendo alvo de protestos nas ruas chilenas, porque teria contribuído para o aumento das desigualdades sociais.

E é possível separar o Pinochet liberal econômico do Pinochet violador de direitos humanos? Não são a mesma pessoa?

“É a mesma pessoa, mas as circunstâncias o levaram a ter as atitudes que teve. O ideal é termos a democracia inglesa, a democracia americana, onde você tem representatividade e discussão de alto nível. Mas na América Latina nem sempre isso é possível”, diz D’Avila.

Responsável por propor uma homenagem ao general Augusto Pinochet, ditador chileno entre 1973 e 1990, o deputado estadual Frederico D’Avila (PSL) diz que é vítima de censura e seletividade por parte da Assembleia Legislativa, da esquerda e da imprensa.

“Aqui já houve sessão em homenagem ao Che Guevara, ao Stedile [líder do MST], à Dilma, e ninguém falou nada. O PC do B faz congresso em que exalta Trotski, Lenin, Stalin e fica por isso mesmo”, declarou.

A sessão na Assembleia em exaltação a Pinochet, que chegou ao poder por meio de um golpe sangrento e em cujo governo milhares de opositores foram mortos e torturados, deve ser cancelada por um ato do presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB).

Embora frustrado, D’Avila afirma que a polêmica atingiu um de seus objetivos. “Tirei as varejeiras do mato”, disse ele, líder ruralista, usando uma metáfora do campo. “Mostrei para a população como a política e a imprensa se comportam nesses casos”.

O parlamentar é um apoiador fiel do presidente Jair Bolsonaro e foi um dos primeiros líderes do campo a desertar da campanha de Geraldo Alckmin, de quem havia sido assessor, para entrar no barco do capitão, no início do ano passado.

Ele diz que Che, homenageado em outubro de 2017, era “muito pior que Pinochet”. “Ele foi na ONU para dizer que estava fuzilando opositores e continuaria a fuzilar”.

Stedile, que recebeu um prêmio em dezembro de 2018, é, em sua visão, promotor de “esbulho possessório” (ato de tomar à força propriedade de terceiros). “Ele faz pregação ideológica até em crianças”.

Já Dilma, afirma o parlamentar, é “uma das crias desse processo de radicalização da esquerda”. “Ela foi terrorista, assaltante de banco, mas por ser limitada intelectualmente não foi muito longe, acabou presa”.

Mas e Pinochet? As atrocidades cometidas por seu regime estão amplamente documentadas. Houve cerca de 3.000 mortes e desaparecimentos, incontáveis vítimas de tortura e dezenas de milhares de exilados, segundo levantamento independentes.

Não é um despautério homenagear uma das figuras mais sinistras do século 20? Mesmo colegas de bancada como a deputada Janaina Paschoal criticaram a ideia de D’Avila.

O parlamentar afirma que sua ideia foi reconhecer os méritos de Pinochet, sobretudo na gestão econômica, e não negar as violações de direitos humanos, que ele diz reconhecer, embora relativizando-as.

“Houve excessos, é claro, mas não esse terror todo que o pessoal fala. Muitos dos que morreram eram agentes cubanos infiltrados que queriam implementar o comunismo”, afirma.

Ao justificar a ditadura, D’Avila usa um argumento que a direita evoca ao defender o nosso golpe de 1964: era preciso frear a ameaça da esquerda.

“Na época do Salvador Allende [presidente socialista derrubado pelo golpe], tinha fila para comprar papel higiênico, havia paralisação de caminhoneiros. A população pediu a queda dele, o país estava à beira do colapso”, diz.

Pinochet, segundo o deputado, foi obrigado a adotar medidas extremas por um determinado período. “Foram ações necessárias para conter a deterioração econômica e social. É que nem antibiótico, você não vai tomar a vida inteira”, afirmou.

Já no front econômico, o ditador chileno, de acordo com D’Avila, fez uma gestão liberal, reconhecida internacionalmente por líderes como o americano Ronald Reagan e a britânica Margaret Thatcher.

Outro ponto digno de elogio, na visão do parlamentar, é o fato de o ditador ter aceitado o resultado de um plebiscito que encerrou seu regime, em 1988.

“Ele poderia ter burlado o resultado. Mas aceitou, fez a transição para a democracia, passou a faixa presidencial. E entregou o país um brinco, na comparação com o que tinha pego”.

O modelo econômico de Pinochet, implementado pelos “Chicago Boys”, é saudado por liberais do mundo inteiro, incluindo nosso ministro da Economia, Paulo Guedes, que morou no país.

Nos últimos meses, contudo, esse sistema está sendo alvo de protestos nas ruas chilenas, porque teria contribuído para o aumento das desigualdades sociais.

E é possível separar o Pinochet liberal econômico do Pinochet violador de direitos humanos? Não são a mesma pessoa?

“É a mesma pessoa, mas as circunstâncias o levaram a ter as atitudes que teve. O ideal é termos a democracia inglesa, a democracia americana, onde você tem representatividade e discussão de alto nível. Mas na América Latina nem sempre isso é possível”, diz D’Avila.