No Congresso, direita busca ampliar suas pautas, mostra estudo

Deputados federais de direita tratam mais de religião e segurança pública, e menos de trabalho e meio ambiente. Até aí, nenhuma grande surpresa.

Mas a direita também dedica muito de seu tempo a temas menos óbvios, como empreendedorismo, participação feminina e visitas a ONGs.

A análise foi feita pela organização Transparência Partidária, com base no levantamento das agendas divulgadas por parlamentares em suas redes sociais.

Usando o Torabit, uma ferramenta de monitoramento de redes, a ONG esquadrinhou 5.031 postagens de deputados no Facebook que continham determinadas palavras-chave, indicando compromissos, como “reunião”, “em agenda” e “estive com”. O período examinado foi o trimestre entre agosto e outubro deste ano.

Os dados brutos foram catalogados por temas, revelando as prioridades de cada deputado. E algumas conclusões dão sinais eloquentes de para onde está indo nossa direita.

O fato de temas que vão além da pauta tradicional surgirem com destaque mostra uma direita que procura ampliar sua atuação, algo condizente com o fato de ter saído do gueto em que vivia até há alguns anos e invadido com tudo o palco principal.

Os assuntos ligados à nova economia, nesse aspecto, chamam a atenção.

Segundo o levantamento, os partidos que mais dedicam sua agenda ao liberalismo econômico, seja em entrevistas, reuniões, visitas ou seminários, são, pela ordem, o Novo, o PP e o DEM.

A explicação é simples: as três legendas estão tentando oferecer uma alternativa ao tipo extremo de conservadorismo proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, e a economia surge como um caminho natural.

(Quem diria, alguns anos atrás, que PP e DEM, herdeiros da antiga Arena da ditadura militar, seriam hoje vistos como exemplos de moderação?)

Da mesma forma, a direita domina o tema do empreendedorismo, dessa vez com deputados do PRB à frente. Ligada à Igreja Universal, essa sigla é a expressão mais concreta da inserção política dos evangélicos atualmente.

Tecnologia é outro setor em que a direita está buscando crescer. Os partidos que mais trataram desse tema foram Novo e PRB. Na infraestrutura, têm destaque, de novo os filhotes da ditadura, DEM e PP.

O caso da corrupção é interessante. A direita parece mesmo ter se apropriado dessa bandeira, que em anos passados era brandida pelo PT.

Tem tudo a ver, obviamente, com o lavajatismo e com eventos como a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Novo e PSL são os partidos que mais trataram desse item, e o PT não aparece nem no top 5.

As bandeiras mais antigas associadas à direita “raiz” não foram esquecidas. Assim, o PRB, por motivos naturais, fala mais de religião, enquanto o PSL, até recentemente o partido de Bolsonaro, trata de segurança e questões militares.

Um ponto que o estudo não aborda é o teor da agenda listada, ou seja, não é possível saber se um evento sobre privatizações é para defendê-las ou atacá-las.

Assim, DEM, PL e PSL, três legendas associadas à direita, lideram no item visita a ONGs. É de se imaginar que grande parte dessas visitas não foi exatamente para exaltar o trabalho que elas fazem.

E também pode-se presumir que muitas dessas organizações sejam alinhadas a causas conservadoras, o que destoa do senso comum (propagado pela direita, aliás), de que ONG é sempre coisa de esquerdista.

De qualquer forma, o estudo feito pela Transparência Partidária é relevante para mostrar como algumas noções pré-concebidas sobre o comportamento de partidos precisam ser atualizadas.

Nesse sentido, não há muitas dúvidas de que a mudança mais frenética nos últimos anos foi vivida pela direita.

Deputados federais de direita tratam mais de religião e segurança pública, e menos de trabalho e meio ambiente. Até aí, nenhuma grande surpresa.

Mas a direita também dedica muito de seu tempo a temas menos óbvios, como empreendedorismo, participação feminina e visitas a ONGs.

A análise foi feita pela organização Transparência Partidária, com base no levantamento das agendas divulgadas por parlamentares em suas redes sociais.

Usando o Torabit, uma ferramenta de monitoramento de redes, a ONG esquadrinhou 5.031 postagens de deputados no Facebook que continham determinadas palavras-chave, indicando compromissos, como “reunião”, “em agenda” e “estive com”. O período examinado foi o trimestre entre agosto e outubro deste ano.

Os dados brutos foram catalogados por temas, revelando as prioridades de cada deputado. E algumas conclusões dão sinais eloquentes de para onde está indo nossa direita.

O fato de temas que vão além da pauta tradicional surgirem com destaque mostra uma direita que procura ampliar sua atuação, algo condizente com o fato de ter saído do gueto em que vivia até há alguns anos e invadido com tudo o palco principal.

Os assuntos ligados à nova economia, nesse aspecto, chamam a atenção.

Segundo o levantamento, os partidos que mais dedicam sua agenda ao liberalismo econômico, seja em entrevistas, reuniões, visitas ou seminários, são, pela ordem, o Novo, o PP e o DEM.

A explicação é simples: as três legendas estão tentando oferecer uma alternativa ao tipo extremo de conservadorismo proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, e a economia surge como um caminho natural.

(Quem diria, alguns anos atrás, que PP e DEM, herdeiros da antiga Arena da ditadura militar, seriam hoje vistos como exemplos de moderação?)

Da mesma forma, a direita domina o tema do empreendedorismo, dessa vez com deputados do PRB à frente. Ligada à Igreja Universal, essa sigla é a expressão mais concreta da inserção política dos evangélicos atualmente.

Tecnologia é outro setor em que a direita está buscando crescer. Os partidos que mais trataram desse tema foram Novo e PRB. Na infraestrutura, têm destaque, de novo os filhotes da ditadura, DEM e PP.

O caso da corrupção é interessante. A direita parece mesmo ter se apropriado dessa bandeira, que em anos passados era brandida pelo PT.

Tem tudo a ver, obviamente, com o lavajatismo e com eventos como a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Novo e PSL são os partidos que mais trataram desse item, e o PT não aparece nem no top 5.

As bandeiras mais antigas associadas à direita “raiz” não foram esquecidas. Assim, o PRB, por motivos naturais, fala mais de religião, enquanto o PSL, até recentemente o partido de Bolsonaro, trata de segurança e questões militares.

Um ponto que o estudo não aborda é o teor da agenda listada, ou seja, não é possível saber se um evento sobre privatizações é para defendê-las ou atacá-las.

Assim, DEM, PL e PSL, três legendas associadas à direita, lideram no item visita a ONGs. É de se imaginar que grande parte dessas visitas não foi exatamente para exaltar o trabalho que elas fazem.

E também pode-se presumir que muitas dessas organizações sejam alinhadas a causas conservadoras, o que destoa do senso comum (propagado pela direita, aliás), de que ONG é sempre coisa de esquerdista.

De qualquer forma, o estudo feito pela Transparência Partidária é relevante para mostrar como algumas noções pré-concebidas sobre o comportamento de partidos precisam ser atualizadas.

Nesse sentido, não há muitas dúvidas de que a mudança mais frenética nos últimos anos foi vivida pela direita.